Opinião

Paulo Afonso - Bahia - 02/10/2023

Salvem o Rio São Francisco

Por: Anttonio Almeida Júnior
Divulgação

O rio da integração nacional, único grande rio 100% nacional, o nosso amado Velho Chico, estará completando nesta quarta-feira, 04 de outubro de 2023, os seus 522 anos do seu descobrimento que é atribuído ao navegador florentino Américo Vespúcio, que navegou em sua foz, em 1501, uma expedição de reconhecimento e que descia a costa brasileira, rente ao litoral. O nome foi dado em homenagem a São Francisco de Assis, festejado neste dia. A região da foz era habitada pelos nossos povos originários, que a chamavam Opará, que significa "rio-mar".

Se fosse apenas por seu tamanho, já atrairia a atenção por sua vasta extensão, que chega perto de 8% da área do território nacional (636.920 km²), distribuindo-se por 503 municípios de sete Unidades da Federação (UFs): estados de Alagoas, da Bahia, de Goiás, de Minas Gerais, de Pernambuco e de Sergipe, bem como o Distrito Federal atingindo uma população de mais de 18 milhões de habitantes. O rio São Francisco tem 2.700 km de extensão e nasce na Serra da Canastra, em Minas Gerais, escoando no sentido sul-norte pela Bahia e por Pernambuco, quando altera seu curso para Leste, chegando ao oceano Atlântico por meio da divisa entre Alagoas e Sergipe. 

A situação atual da bacia hidrográfica do rio São Francisco apresenta um cenário bastante preocupante, com desafios que, segundo o TPEA, precisam serem enfrentados:  definir uma estratégia que solucione conflitos entre os diversos usuários dos recursos hídricos (abastecimento urbano, aproveitamento energético, irrigação, navegação, piscicultura, dessedentação de animais, lazer e turismo) em toda a bacia; resolver conflitos entre a demanda para usos consuntivos e insuficiência de água em períodos críticos; implementar sistemas de tratamento de esgotos domésticos e industriais; racionalizar o uso da água para irrigação no Médio e Submédio São Francisco;  estabelecer estratégias de prevenção de cheias e proteção de áreas inundáveis; definir programas para uso e manejo adequado dos solos. 

A esses desafios acrescento o cumprimento por parte dos governos federal, estaduais e municipais das obras de revitalização da bacia do Rio São Francisco, com o reflorestamento das nascentes e das matas ciliares, o desassoreamento da calha principal do rio, bem como a retirada das macrófitas aquáticas (baronesas e elódias) que se acumulam nos reservatórios das hidroelétricas e o necessário repovoamento do rio com as espécies nativas.

Estas ações deverão fazer parte de um Programa de Desenvolvimento Sustentável da Bacia Hidrográfica do São Francisco, com início, meio e fim, metas plurianuais, indicadores mensuráveis, para se estabelecer uma ação integrada do governo, agentes econômicos e sociedade civil, visando ao enfrentamento definitivo dos conflitos do uso múltiplo dos recursos naturais e a recuperação hidroambiental do rio e seus afluentes.

Nós ribeirinhos, precisamos nos indignar e de forma ordeira e republicana, exigir dos nossos representantes políticos e dos poderes públicos constituídos, ações efetivas e permanentes que salvem o rio São Francisco que agoniza a cada dia.  Senão, corremos o risco de, num futuro próximo, nossos filhos e netos se sentirem envergonhados da nossa omissão com o rio que é patrimônio dos nordestinos e brasileiros.

 

Desenvolvimento com Justiça Social.


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