Política

Paulo Afonso - Bahia - 21/10/2025

Câmara Municipal: O Filme Sem Roteiro

Itaíbes Paiva
Divulgação

A Câmara de Paulo Afonso virou um verdadeiro set de filmagem digno de dar inveja a Hollywood. Quase tudo acontece ali dentro, e pouca coisa destoa dos anos 80, quando a diferença era um microfone ou um cinzeiro voando como se fosse lançado por mágica em direção ao colega vereador.

Hoje, com tecnologia de ponta e inteligência artificial, tudo parece diferente, mas continua igual. Os xingamentos nunca saíram de cena. O animador, agora parlamentar, inflama o público com palavras fortes, buscando aplausos da plateia em delírio. O que antes era chamado de “flash” virou “like” nas redes sociais.

Há vereador de pavio curto, que até trabalha, mas não tem paciência e explode diante das vaias vindas da galeria. Tem aquele que repete o mesmo discurso toda semana parece que esqueceram de trocar a fita cassete… desculpe, hoje é chip. Tem vereador que é xingado ao vivo em programas de TV local. E há a meia dúzia que entra calada e permanece muda durante toda a sessão desculpa respondem a chamada “presente”.

Tem também recém-chegado, que caiu tenta recuperar o tempo perdido com discursos técnicos, cheios de conhecimento, mas sem nenhuma proposição concreta. As vereadoras ora falam, ora se calam afinal, se discordarem da ala machista, ouvirão coisas que jamais deveriam ser ditas, especialmente contra uma mulher, e especialmente dentro de uma Câmara.

No meio disso tudo, há os que defendem os feitos da gestão e os que fazem questão de criticar até o que está melhorando. E no comando desse filme sem roteiro, está o glorioso “diretor”, tentando apaziguar egos e lidar com a fúria da plateia que não está gostando do enredo.

A pergunta que fica é: até quando teremos que assistir a esse espetáculo sem lógica, sem roteiro e sem autor? A “sala da justiça” virou programa de auditório. As leis foram trocadas por agressões e palavras soltas. O púlpito virou o microfone das lamentações. Os projetos e leis foram rasgados em nome de um roteiro criativo, porém agressivo à comunidade.

O diretor terá muito trabalho para ajustar os personagens ao filme e essa demora, essa omissão, traz consequências reais ao povo. Claro que existem exceções: aqueles que seguem o roteiro, tentam mostrar trabalho decente e manter a dignidade do cargo. Mas como em toda desorganização, prevalecem os que gritam e jogam para a plateia. Os que tentam trabalhar ficam em segundo plano.

Essa é a triste realidade de um legislativo sem o pulso firme de um comandante. E o resultado? A galeria fala mais alto que os protagonistas.


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