
Meu caro Bob, na minha visão e diante do quadro apresentado de possíveis candidatos a Deputado Estadual, há pelo menos dois nomes sobre os quais recai a convicção de que não ingressariam nessa seara política sem a segurança de uma votação consistente, justamente por não serem afeitos a aventuras eleitorais.
Dr. Juliano, com uma reputação pública construída ao longo do tempo e que naturalmente precisa ser preservada, e Flávio, reconhecido pelo conhecimento em administração pública e com perfil que se adequa mais ao Poder Executivo, demonstram prudência política. A política de risco, marcada por apostas incertas, claramente não faz parte do perfil de nenhum dos dois.
Quanto aos demais nomes ventilados, permanece a dúvida legítima: há, de fato, intenção real de disputa, ou trata-se apenas de candidaturas destinadas a manter visibilidade política, ocupando espaço no debate público com vistas a projetos futuros, possivelmente mirando o ano de 2028?
O fato concreto é que, diante da realidade vivida em nossa cidade e da possibilidade inédita de pulverização dos votos, somada à circunstância de que os pretensos candidatos locais têm em Paulo Afonso seu principal reduto eleitoral, corre-se o risco de que, ao final do processo, a soma dos votos obtidos (entre eles) não seja suficiente para eleger um único representante da cidade na ALBA.
Para agravar esse cenário, não se pode ignorar a força política de Mário Negromonte, que conta com o apoio direto de seu filho, o deputado Mário Negromonte Júnior, fator que tende a dificultar ainda mais a consolidação de um projeto local competitivo. O que hoje é tratado como expectativa ou sonho político pode, diante de uma estratégia mal articulada, transformar-se em frustração eleitoral.
A lição que se impõe é clara: sem unidade, planejamento e leitura realista do cenário, Paulo Afonso corre o risco de mais uma vez assistir à eleição passar sem garantir representação própria no parlamento estadual.