
Paulo Afonso mais uma vez assiste ao espetáculo de contradições que virou marca registrada da sua maior festa popular. No mundo do “Pavãozinho”, que passou anos acusando gestões passadas de incompetência e desperdício, a promessa de mudança virou apenas mais um capítulo de propaganda vazia. A Copa Vela 2025 não só repetiu os erros dos antecessores como conseguiu piorar a situação em pontos cruciais.
1. O rombo do orçamento e o show da insensatez
A Secretaria de Cultura destinou cerca de R$ 10 milhões ao evento. Dez milhões. Para um festival que já não se parece com o que um dia foi, esse valor soa mais como uma afronta do que como investimento. Enquanto artistas da terra mendigam editais, escolas sofrem com falta de estrutura e o HNAS clama por recursos, o prefeito abre os cofres para um carnaval fora de época.
2. A morte da tradição
A Copa Vela nasceu náutica. Era o encontro das velas coloridas no rio, um festival que tinha alma, que dialogava com a identidade da cidade. Mas isso morreu. O que resta hoje é um palco para arrocha, forró e sertanejo, embalado por nomes medianos e atrações que em nada representam a essência do evento. O próprio termo “Copa Vela” virou peça decorativa: não há mais vela, não há mais prainha viva, só um amontoado de shows repetitivos. Velas só dos donos de bares e restaurantes da prainha, em busca de milagres, pois continuam largados e sem nenhum apoio do prefeito.
3. O tiro no pé do deslocamento
Mudar o evento da Avenida Apolônio Sales para o Poeirão foi uma decisão que escancara a falta de visão. A Apolônio foi o berço e a vitrine da festa desde 1989. Era lá que a cidade pulsava e os blocos saiam até a prainha, onde tinha barcos com velas, onde bares e restaurantes tinham a chance de faturar no único período do ano que realmente movimentava suas caixas. No Poeirão, longe do coração econômico e simbólico do evento, resta apenas poeira, custos inflados e comerciantes desamparados.
4. O jogo nebuloso dos camarotes
Para completar, a exploração dos camarotes virou palco de polêmicas. Reclamações sobre critérios pouco transparentes e disputas de bastidores dão a entender que, na terra da “nova política”, o velho clientelismo continua ditando as regras. O espaço que deveria ser vitrine de lazer e festa virou laboratório de suspeitas.
5. A bronca do Ministério Público
Não bastasse o resto, o Ministério Público precisou intervir com recomendações para garantir segurança, organização e sustentabilidade ambiental. Ou seja: nem o básico estava assegurado. A festa que deveria ser orgulho virou preocupação oficial e, imaginem quando não deve estar custando aquele muro metálico que está sendo colocado para impedir o acesso ao antigo riacho das lavadeiras... Se fosse do bolso do pavãozinho ele teria repensado... Mas é do bolso da viúva, do povo...
Conclusão: uma festa cara, descaracterizada e sem rumo
A Copa Vela 2025 não é apenas uma sombra do que já foi. É a prova de que quem criticava gestões anteriores acabou repetindo os mesmos erros e até piorando, sem criatividade, sem visão e sem respeito pela tradição local. Em vez de resgatar a alma da festa, preferiram enterrar sua história sob o peso de cifras infladas e decisões desastradas.
O resultado? Um evento caro, sem identidade, que sufoca os comerciantes da prainha e da Apolônio Sales que sempre dependeram dele e ainda mancha a credibilidade da própria gestão.
No mundo do Pavãozinho, o voo é curto, o canto é desafinado — e a cidade é quem paga a conta.