Política

Paulo Afonso - Bahia - 11/05/2026

Quase R$ 1 Milhão em Shows: A Farra dos Cachês Milionários em Paulo Afonso

Júnior Padão
Divulgação

Por: Júnior Padão - Enquanto hospitais enfrentam dificuldades, a coleta de lixo é irregular e a população convive diariamente com serviços públicos precários, a Prefeitura de Paulo Afonso parece ter encontrado sua prioridade absoluta: bancar cachês milionários para festas e eventos. Segundo informação divulgada pelo jornalista Bob Charles, a gestão municipal pretende desembolsar R$ 550 mil para contratar a cantora Joelma para o São João deste ano. Meio milhão de reais. Em uma única apresentação.

E o mais impressionante é que esse não é um caso isolado. Há menos de uma semana, a prefeitura já havia autorizado o pagamento de R$ 420 mil ao cantor Nando Reis para se apresentar no evento “Moto Paulo Afonso”. Somando os dois contratos, ultrapassa-se a marca de R$ 970 mil em cachês artísticos em poucos dias. Quase um milhão de reais despejados em palco, luz e espetáculo enquanto a cidade continua convivendo com problemas antigos e nunca resolvidos.

A pergunta que ecoa nas ruas é simples: qual a lógica administrativa de uma decisão dessas?

Em tempos em que diversas prefeituras do Nordeste discutem limites de cachês e mecanismos de controle para evitar a farra com dinheiro público, Paulo Afonso caminha na contramão da responsabilidade fiscal. Enquanto gestores mais prudentes tentam equilibrar as contas, aqui se aposta no velho modelo do “pão e circo”, como se uma noite de espetáculo fosse suficiente para esconder os problemas crônicos da cidade.

Não se trata de ser contra cultura, contra festas populares ou contra artistas. O São João é patrimônio cultural do Nordeste e merece investimento. Mas existe uma diferença enorme entre promover cultura e promover extravagância com recursos públicos. Uma coisa é valorizar a tradição junina; outra, completamente diferente, é transformar o cofre da prefeitura em camarim de luxo para contratos astronômicos.

O mais revoltante é que o dinheiro não sai do bolso do prefeito. Sai do bolso do povo. Do trabalhador que enfrenta uma saúde em frangalhos, do comerciante sufocado por impostos, do cidadão que cobra educação, emprego e segurança. Cada centavo gasto em cachês exorbitantes é um centavo que deixa de ser investido em áreas essenciais.

E há ainda um aspecto moral impossível de ignorar: qual mensagem a administração transmite quando aceita pagar cifras tão elevadas enquanto pede compreensão da população para as limitações do município? Que prioridade é essa? Que gestão é essa que encontra facilidade para liberar centenas de milhares de reais para shows, mas frequentemente apresenta dificuldades quando o assunto é resolver problemas básicos da cidade?

O problema não é a artista. O problema não é o cantor. O problema é a escolha política. É a mentalidade atrasada de gestores que acreditam que grandes shows compram popularidade instantânea e silenciam críticas. Talvez funcionasse décadas atrás. Hoje, a população acompanha contratos, fiscaliza portais de transparência e entende perfeitamente quando há exagero.

Festa pública deve existir, sim. Mas com equilíbrio, responsabilidade e respeito ao dinheiro do contribuinte. Afinal, o brilho do palco dura poucas horas. Já a conta da irresponsabilidade sobra para o povo o ano inteiro.


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