
Quando a palavra foi dita, o volume do burburinho foi baixando, baixando, até que, em poucos segundos, a voz do prefeito se tornou o único som a ecoar na sala lotada. Ao lado, havia quem sorrisse, um riso de concordância e regozijo, mas o rosto da maioria estava sério, semblantes fechados, repentinamente marcados por rugas de surpresa ou apreensão, quem saberá?
Quase ninguém se entreolhou; talvez pelo medo de que, ao cruzar olhares, algo soasse como acusação ou, pior ainda, como confissão.
E o prefeito continuava falando. Dissecava o sentido da palavra, traçava o perfil, expunha as artimanhas e atestava a absoluta inutilidade que a figura do bajulador representa para a administração dele. Eu lembrei imediatamente do forró de Jackson do Pandeiro: