
Paulo Afonso fez uma escolha equivocada quando apostou apenas na potencialidade da geração de energia elétrica. Hoje não é mais a capital da energia, seus funcionários se aposentaram. E aposentadoria não gera emprego e renda e nem paga boleto
Curiosamente, nos tempos atuais, Paulo Afonso escolheu outro caminho. A cidade não tem indústria, não gera empregos. O setor público inchou, o comércio minguou, e os jovens, aqueles que o município mais precisava reter, olharam ao redor e não viram futuro.
Há de se passar uma borracha no passado e inovar a qualidade da nossa gestão pública. Ultimamente, foram produzidos fatos que hoje nos causam espanto. Houve concentração de poder, clientelismo enraizado, nepotismo escancarado, inchaço da máquina pública e uma sensação crescente de que o município e não sai do lugar porque, de fato, não sai. Não se trata de partidarismo. Trata-se de reconhecer que instituições fortes valem mais que governos ambientalmente algemados. E que a população, quando não encontra instituições que funcionem, faz as malas. O prefeito chama Paulo Afonso de a "cidade mais bonita do Brasil (sic).
Tornar realidade esse cenário não é impossível, embora seja difícil e exija decisões que nenhum gestor quer tomar, porque todas têm custo político imediato e benefício eleitoral distante. Aponto: Diversificar de verdade e reformar a gestão pública.
Felizmente, trajetórias não são destinos. Se quisermos, Paulo Afonso pode fazer seu dever de casa, mas isso exigirá algo que, até agora, temos demonstrado pouca eficiência: coragem para romper com inércias históricas. Coragem para investir em logística mesmo quando o retorno é de longo prazo. Coragem para enfrentar o clientelismo que alimenta a máquina pública inchada. Coragem para olhar no espelho e reconhecer que o vizinho está fazendo algo certo e que nós estamos fazendo algo errado. Vivemos um bom momento para um debate sério sobre esse tema. Pensem nisso!