Opinião

Paulo Afonso - Bahia - 24/03/2026

Feminicídio: quando a dor exige voz e ação

Itaíbes Paiva
Divulgação

O feminicídio não é apenas um crime. É uma ferida aberta na alma da sociedade, uma brutalidade que expõe nossas falhas mais profundas: a omissão das instituições, a indiferença coletiva e a cumplicidade silenciosa que perpetua a violência contra as mulheres.

Cada vida arrancada pela violência é um grito que ecoa na dor das famílias, na desconfiança das comunidades e na desesperança de tantas mulheres que vivem sob ameaça. E, no entanto, muitas vezes, os agressores são justamente aqueles que deveriam proteger. Essa contradição é uma das tragédias mais urgentes de serem discutidas: quando a confiança nas instituições se quebra, a vítima não apenas sofre a violência física, mas também o abandono moral e social.

Leis existem, mas sem aplicação rigorosa tornam-se símbolos vazios. A impunidade é o terreno fértil onde a violência floresce. Não basta legislar; é preciso garantir que cada norma seja vivida na prática, que cada denúncia seja acolhida, que cada mulher seja protegida.

A caminhada das mulheres, em cada ato de resistência, é um chamado coletivo para que a sociedade deixe de ser cúmplice pelo silêncio. O silêncio mata. A indiferença perpetua. A omissão nos torna parte do problema.

Reconhecer, se posicionar e compartilhar é um ato de resistência. Cada voz que se levanta contra a violência fortalece a luta contra a indiferença. É nesse eco que nasce a esperança de transformação.

O feminicídio não é uma dor distante: é uma dor que nos atravessa a todos. Quando uma mulher sangra, sangra a humanidade inteira. E é nossa responsabilidade romper o ciclo da violência, transformar indignação em mobilização e garantir que nenhuma mulher carregue sozinha o peso dessa dor.

 


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