
Antes de começar, preciso fazer uma distinção importante — talvez a mais importante de todas.
Quando falo das mulheres da minha vida, não estou falando das mães.
Mãe não entra nessa conversa comum dos mortais.
Porque mãe não é apenas mulher.
Mãe é outra coisa.
Mãe é anjo em estágio na Terra.
Mãe é abrigo, é raiz, é porto seguro.
Por isso, deixemos as mães em seu devido lugar: no altar da vida, onde pertencem.
Agora sim podemos falar das outras mulheres — aquelas que, de uma forma ou de outra, atravessaram o caminho da minha, da sua; da nossa história.
Porque a vida de um homem é, no fundo, uma grande galeria de encontros femininos.
Há as mulheres doces, aquelas que chegam com olhar sereno e alma tranquila. São mulheres que não fazem barulho, mas deixam paz por onde passam. Conversar com elas é como sentar à sombra de uma árvore num dia quente: simples, mas profundamente reconfortante.
Há também as mulheres de riso fácil, espírito leve, que entram em um ambiente como quem abre uma janela e deixa o ar circular. Com elas, a vida ganha cores mais vivas, histórias melhores e memórias que o tempo nunca apaga.
Existem ainda as mulheres fortes, intensas, de personalidade marcante. Mulheres que questionam, provocam, desafiam. Não são fáceis — mas também não são esquecíveis. Elas deixam marcas profundas, às vezes ensinamentos que só entendemos muitos anos depois.
E claro, como em toda boa história humana, também aparecem as famosas megeras da vida.
Essas são personagens curiosas: dramáticas, exageradas, às vezes especialistas na arte de transformar pequenas coisas em grandes tempestades. Mentem com convicção, discutem com talento e criam situações que fariam qualquer roteirista de novela pedir conselhos.
Mas até elas têm seu papel nessa grande comédia humana.
Porque são justamente elas que nos ensinam a reconhecer — e valorizar — as mulheres verdadeiramente boas. Raras...
Sem algumas tempestades pelo caminho, talvez nunca aprendêssemos a agradecer pelos dias de sol.
Assim, olhando para trás, percebo que minha vida foi marcada por um verdadeiro mosaico feminino.
Mulheres sábias.
Mulheres divertidas.
Mulheres complicadas.
Mulheres generosas.
Mulheres inesquecíveis.
Algumas deixaram saudade.
Outras deixaram aprendizado.
Outras deixaram histórias que hoje conto rindo.
Mas todas, absolutamente todas, escreveram alguma linha no livro da minha vida.
E se hoje eu sou um pouco mais experiente, um pouco mais paciente e talvez até um pouco mais sábio… é porque as mulheres passaram pelo meu caminho.
Entre santas e diabinhas, entre ternura e tempestade, entre encanto e confusão… segue o grande espetáculo da vida.
E no palco desse espetáculo, uma coisa é certa: as mulheres continuam sendo uma das forças mais fascinantes que existem neste mundo.
Feliz Dia da Mulher!