
O sentimento entre os vereadores de oposição na Câmara de Paulo Afonso é de rejeição ao pedido da gestão do prefeito Mário César Barreto Azevedo (PSD) para ter autorização suplementar de até 100% no orçamento municipal de 2026.
Na prática, o Executivo almeja poder remanejar, ao longo do ano, todo o valor aprovado na peça orçamentária, por meio de créditos suplementares.
A dúvida será dirimida ou não na próxima semana e a expectativa de não se chegar a um acordo pode travar a negociação e acabar levando à reprovação da LOA. A votação nominal vai deixar claro como cada vereador irá se posicionar.
Os votos contrários de Jailson Oliveira, Celso Brito Miranda, Marquinhos de Zezinho, Eliézio Livino e Marcia Gorette, reconhecidos como de perfil mais oposicionista, já são esperados. A novidade deve ficar por conta de Jean Roubert que até recentemente vinha acompanhando as principais propostas da atual gestão e, desta vez, vai se colocar contra o pedido do prefeito.
Segundo explica o Vereador Celso Brito Miranda (PRD), o posicionamento está ligado ao compromisso assumido em campanha de “mudar a forma de fazer política” em Paulo Afonso, em contraste com práticas do passado criticadas por parte da população. Em outras palavras: não se trata apenas de um número ( 30%, 60% ou 100%), mas do grau de liberdade que o Executivo terá para mexer no orçamento sem um controle mais próximo da Câmara.

Ao pedir autorização para suplementar até 100% do orçamento, o prefeito busca um nível máximo de flexibilidade. A oposição entende que esse patamar extrapola o razoável e fragiliza o papel fiscalizador do Legislativo.
Caso a LOA de 2026 seja reprovada nesse primeiro momento, Executivo e Legislativo terão de retomar o diálogo. Sem uma lei orçamentária aprovada até o fim do ano, o município pode começar 2026 operando em regime mais restrito de execução de despesas, o que pressiona os dois Poderes a encontrar um ponto de consenso — seja em um novo percentual de suplementação, seja em ajustes políticos internos na base de apoio do governo.