
PAULO AFONSO- Há pouco, Ozildo Alves, classificado na última segunda como “portador do prefeito” deu duas notícias aterradoras, como quem diz: “no fim da tarde pode cair pancadas de chuva”.
A primeira, o locutor da voz mais cálida de Paulo Afonso, informara que, mesmo suspensa pelo STF, o governo Galinho (PSD), sancionou a lei que cria a loteria municipal. Uma das grandes contribuições do Legislativo para que aumente o número já espantoso de suicídios e o endividamento dos pobres coitados.
Me impressiona a ternura e a docilidade com as quais Ozildo lê essas coisas. Sigamos para a próxima nota: de acordo com o doce Ozildo, houve uma queixa (da qual sei bem do que se trata) intimando o radialista Bob Charles a ir à delegacia prestar muitos esclarecimentos sobre uma nota que, há dois dias, até as pedras das ruas falavam.
Veja bem, a questão não é o governo. Causa espécie como alguém que se diz imprensa possa achar naturalidade no que vem em curso.
Não bastasse a meiguice para com o fato de um colega como Bob Charles ter que ir à delegacia, Vanélio Oliveira, dito comentarista do programa, que ocupa um lugar que fora do maior entre nós, Jr Padão, se solidarizou com quem fez a queixa.
Bob, coitado, não teve um mísero apoio. De acordo com Ozildo, foi para poupar a sua bela imagem, optou-se então por não dizer o nome do santo.
Se neste governo alguém soubesse o que significa imprensa, daria a resposta com uma nota desmentindo o texto de Bob. E seguiria a vida. Mas para quê, se parte dela está ajoelhada ?
Da minha parte Bob, fica minha solidariedade e minha indignação. São tempos de trevas que atravessamos. Padão disse que já está de orelha em pé.
Bob, continue, não fosse por você Paulo Afonso não saberia dos romances privados que tanto fizeram fervilhar a minha imaginação dos romances Bianca e Júlia, eles não superam Bob Charles.
Quando ao mais, me conformo com o maior jornalista que já existiu: “ Os idiotas vão tomar conta do mundo, não pela capacidade, mas pela quantidade.”
Ah, se vocês também vão à delegacia contra mim, esperem – ao menos terminar minhas férias, tá!
