
Durante a sessão da Câmara Municipal de Paulo Afonso, o vereador Jailson Oliveira fez uma declaração que, no mínimo, merece atenção e cobrança. Ao se referir ao prefeito e seu irmão, afirmou:
“Sei de todo o seu interesse e do seu irmão em festas, mas não posso dizer aqui, das suas artimanhas quem mais sabe sou eu.”
A frase, dita em plenário, levanta um questionamento inevitável: se o vereador afirma saber de algo grave ou comprometedor sobre o chefe do Executivo, por que não pode dizer ali justamente no espaço institucional onde a verdade deve ser dita com responsabilidade?
A tribuna da Câmara não é lugar para insinuações vazias. É um espaço de representação popular, onde cada palavra tem peso e consequência. Se há algo a ser denunciado, que se faça com clareza, provas e coragem. Se não há, que se evite alimentar o jogo da ambiguidade, que apenas enfraquece o debate público e confunde a população.
O silêncio, nesse caso, fala alto. E a dúvida que fica é: o que está sendo escondido e por quê?
Se um vereador tem conhecimento de condutas ilícitas e se abstém de denunciá-las por conveniência política ou pessoal, pode sim ser questionado por omissão dolosa.
A sociedade não pode ser refém de frases soltas e meias verdades. O papel do vereador é fiscalizar, denunciar quando necessário, e sobretudo, respeitar o povo que o elegeu. Se há artimanhas, que sejam reveladas. Se há apenas retórica, que se assuma a responsabilidade pelo que se diz.
Porque a política precisa de transparência, não de mistério. E o povo de Paulo Afonso merece respostas não enigmas.