Política

Paulo Afonso - Bahia - 21/08/2025

Paulo Afonso entre latas, latidos e likes, a gestão do Pavãozinho Galinho

Bob Charles DRT BA 3.913
Divulgação

Paulo Afonso já foi chamada de “Cidade da Energia”, mas hoje é mais conhecida como o palco do reality show político de Mário Galinho, apelidado pela própria população de “Pavãozinho”, não por acaso: adora abrir a cauda nas redes sociais, colorida, cheia de filtros e vídeos ensaiados, enquanto a cidade enfrenta um caos bem menos fotogênico.

De um lado, a saúde agoniza – com paralisações, filas e hospital pedindo socorro, praticamente fechado. Do outro, alunos da zona rural continuam caminhando quilômetros no barro porque os ônibus escolares são poucos, velhos ou inexistentes. Mas o que mais chama atenção é que, em meio a tanta precariedade, a Prefeitura reservou mais de R$ 1,1 milhão em atas de registro de preço para água mineral, um feito que batizou o escândalo da vez: a “água do milhão”. Como se a cidade não tivesse o velho Chico de onde o povo bebe água...

E olhe que pelos cálculos a água comprada dar para saciar a sede dos funcionários da prefeitura por mais de 5 anos, só tem uma precaução: água mineral tem prazo de validade, de 1 ano, e a gestão do pavão termina em mais 3 anos...

Enquanto isso, o irmão do prefeito, conhecido como “Pinto” que na verdade parece mais um carcará no pescoço do povo, sem ocupar cargo algum, ganhou fama nos bastidores como o “ministro do terror”: pressiona funcionários, dá ordens e espalha medo, numa espécie de governo paralelo em família. Um Pinto que canta mais alto que o próprio Galo e não é para resolver problemas do povo. São interesses de aves de rapina.

A solução genial: ração em vez de renda

Mas se tudo isso parece surreal, a Secretária de Meio Ambiente, Jamile Coelho, conseguiu inovar: decidiu vender materiais recicláveis que antes garantiam a sobrevivência de catadores para usar o dinheiro na compra de ração para cães de rua. Resultado? Os cachorros continuam soltos aos bandos pela cidade, bem alimentados, enquanto os catadores – gente de carne e osso – veem seu sustento ser retirado.

É a primeira vez que Paulo Afonso assiste a um prefeito retirar comida da mesa de humanos para colocar no pote de animais. Os catadores, que antes disputavam restos de recicláveis para vender, agora encaram o vazio: perderam a única fonte de renda. Já os cães, que deveriam ser recolhidos, castrados ou encaminhados a abrigos, seguem passeando em matilhas, de barriga cheia e sem coleira.

Água cara, transporte precário, saúde em colapso

Enquanto R$ 1,1 milhão em água mineral ficam reservados para o conforto administrativo, mães do BTN relatam falta de pediatras, pacientes reclamam da ausência de medicamentos básicos e estudantes rurais seguem caminhando até 12 km em estradas de barro para chegar à escola. Mas não se preocupe: tudo isso pode ser visto em vídeos bem editados nas redes oficiais da Prefeitura, com músicas inspiradoras e tomadas aéreas.

Governo de fachada

A imagem que se consolida é de uma gestão que governa para a câmera e não para o povo. Um governo onde o prefeito se exibe como “influencer”, o irmão sem cargo age como chefe, e a secretária de meio ambiente transforma recicláveis em ração, humanos em invisíveis e cachorros em prioridade de Estado.

O retrato de Paulo Afonso em 2025

Se a política é a arte de priorizar, a gestão Pavãozinho parece ter entendido tudo ao contrário: tirar de quem não tem, para dar a quem não precisa. Catadores sem sustento, crianças sem transporte, pacientes sem remédio – mas ao menos os cães estão bem alimentados, e o prefeito tem mais um vídeo pronto para postar.

Paulo Afonso virou um cenário de tragicomédia administrativa, em que o povo paga caro pela vaidade digital de um governante que governa para a câmera, e não para a cidade.

 

 

 


Últimas

11601 até 11620 de 11621 « Primeiro   « Anterior     Próximo »   Último »
Busca



Enquete

Adiquirindo resultado parcial. Por favor aguarde...


Todos os direitos reservados