Opinião

Paulo Afonso - Bahia - 22/05/2025

A Humanidade e a Substituição dos Filhos por Bonecos: Reflexões sobre um Sinal dos Tempos

Por Itaíbes Paiva
Divulgação

Vivemos tempos estranhos e inquietantes. Em várias partes do mundo, cresce o número de pessoas que substituem filhos reais por bonecos hiper-realistas. Alimentam-nos, vestem-nos, levam-nos para passear e chegam até a falar deles como se fossem seres vivos. Para muitos, isso pode parecer apenas uma excentricidade moderna, mas por trás desse fenômeno esconde-se algo muito mais profundo: uma transformação radical na forma como nos relacionamos com a vida, com os afetos e com o sentido da existência humana.

O Que Está Acontecendo com a Humanidade? Do ponto de vista científico, esse comportamento pode ser interpretado como reflexo de traumas, solidão extrema, depressão ou transtornos afetivos. Estudos indicam que, para algumas pessoas, o apego a bonecos é uma tentativa de preencher o vazio deixado por perdas, frustrações ou pela impossibilidade de ter filhos. Em outros casos, é uma forma de evitar o sofrimento que relacionamentos reais implicam. Em um mundo marcado pela pressa, pelo individualismo e pelo esgotamento emocional, a busca por vínculos seguros, mesmo que artificiais, torna-se compreensível ainda que preocupante.

Mas essa substituição do real pelo artificial também pode ser vista como um sintoma espiritual de um tempo em que muitos se afastaram do sentido maior da vida. O ser humano, feito para amar, cuidar e se sacrificar pelo outro, está se tornando cada vez mais autocentrado, incapaz de lidar com a complexidade do outro. Troca-se a dor e a beleza do amor real pela previsibilidade fria do afeto simulado.

Em 2 Timóteo 3:1-5, lemos: “Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis. As pessoas serão egoístas, avarentas, presunçosas, arrogantes, blasfemas, desobedientes aos pais, ingratas, ímpias...” A substituição de filhos por bonecos pode ser entendida como símbolo de uma sociedade que está perdendo o senso do sagrado da vida humana.

A maternidade e a paternidade, que deveriam ser experiências de entrega e crescimento, estão sendo reduzidas a performances vazias.

Estamos à Beira da Extinção? Se essa tendência for levada a sério e se tornar padrão, as consequências para a continuidade da humanidade são óbvias. Sem filhos reais, não há futuro. O índice de natalidade já está em queda em muitos países desenvolvidos, e a substituição de crianças reais por simulacros acelera esse processo. A humanidade pode estar caminhando, voluntariamente, rumo à sua própria extinção não por guerras ou desastres naturais, mas por uma escolha fria e silenciosa: deixar de gerar e cuidar da vida.

Se persistirmos nesse caminho, o futuro será um mundo cada vez mais desumanizado, onde as relações são substituídas por ilusões, e o amor se torna um algoritmo programável. Precisamos reaprender a lidar com a dor, com a imperfeição do outro e com a beleza da vida concreta, com todos os seus desafios. O que leva uma pessoa a substituir um filho por um boneco? A resposta é complexa, mas aponta para uma crise profunda do espírito humano. Estamos diante de uma ruptura não apenas emocional, mas existencial. A pergunta que fica é: vamos continuar anestesiando nossos sentimentos ou teremos coragem de encarar a dor e a beleza da vida real?

O futuro da humanidade depende da nossa capacidade de escolher o real em vez do falso, o vivo em vez do inanimado, o amor verdadeiro em vez da ilusão confortável. Ainda há tempo de reverter esse caminho, mas é preciso despertar, antes que seja tarde demais.


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