Opinião

Paulo Afonso - Bahia - 06/04/2026

O Silêncio que Protege o Agressor: A Omissão como Cumplicidade Social.

Itaíbes Paiva
Divulgação

A omissão diante da violência contra a mulher não é neutralidade é cumplicidade. Quando a sociedade se cala, seja por medo, comodismo ou indiferença, acaba dando força exatamente ao que deveria combater. Tratar a agressão como algo “normal” ou evitar falar para não “piorar a situação” só permite que ela continue acontecendo, dia após dia.

Essa realidade mostra uma ferida coletiva: muitas vezes vemos, sabemos, mas escolhemos não agir. E a violência não cresce porque é invencível, mas porque encontra espaço no silêncio, na falta de denúncia, na ausência de justiça e na frieza de quem prefere não se envolver.

A sociedade não pode calar diante de tamanha brutalidade. O silêncio não acolhe a vítima, ele protege o agressor. É preciso ter coragem para quebrar esse ciclo, dar voz a quem sofre e transformar indignação em atitude.

Não é só sobre quem agride. É também sobre quem presencia e se omite. Quem se cala diante da dor do outro, de certa forma, permite que ela continue. Quem ignora, minimiza. Quem justifica, fortalece.

Mudar essa realidade exige mais do que revolta momentânea. Exige empatia, coragem e responsabilidade. Exige que a gente entenda que não dá mais para fingir que não vê. Porque nenhuma sociedade evolui quando escolhe fechar os olhos. E nenhuma mudança acontece enquanto o silêncio for mais confortável que a verdade.

O silêncio diante da violência não é ausência de voz é escolha de lado, e quem se cala acaba ficando ao lado do agressor.


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