
Apesar de sua relevância histórica e estratégica no semiárido nordestino, Paulo Afonso começa a assistir, com crescente preocupação, ao avanço de cidades vizinhas que vêm assumindo protagonismo regional. O contraste se torna ainda mais evidente diante de iniciativas estruturantes anunciadas em municípios de menor porte, como Piranhas, no Sertão alagoano.
Nos próximos anos, Piranhas deverá receber um dos maiores complexos turísticos do Nordeste, com Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em R$ 1 bilhão. O projeto prevê a construção de resorts de alto padrão integrados a uma proposta inovadora de valorização histórica: o resgate do chamado “Trem do Imperador”, uma obra de infraestrutura que pretende conectar os cânions do Rio São Francisco a cidades do interior sertanejo, fortalecendo o turismo e a economia regional.
A iniciativa reforça uma tendência observada em municípios que apostam em planejamento estratégico, parcerias público-privadas e gestão orientada a resultados. Mesmo com menor capacidade orçamentária, essas cidades têm conseguido atrair investimentos robustos e gerar desenvolvimento sustentável.
Em contrapartida, Paulo Afonso, considerada a maior cidade da região, enfrenta críticas quanto à condução administrativa. A ausência de projetos estruturantes e a falta de eficiência na aplicação dos recursos públicos têm comprometido o potencial econômico do município. A percepção predominante é de que há gastos recorrentes sem retorno significativo em áreas estratégicas como infraestrutura, turismo e geração de emprego.
O cenário evidencia um deslocamento de protagonismo no sertão, onde cidades antes periféricas passam a liderar iniciativas de desenvolvimento, enquanto centros tradicionais enfrentam desafios para manter sua relevância.
Fonte/Autor: Júnior Padão