
Todo governo tem um coração. É nele que pulsa a inteligência do poder, onde se traçam estratégias, se afinam engrenagens administrativas e se define o rumo da gestão. Esse coração é formado pela Secretaria de Governo, pela Secretaria de Relações Institucionais e pelo Gabinete do Prefeito, setores responsáveis por articular decisões e dar coesão à máquina pública.
Em Paulo Afonso, a bancada de oposição na Câmara, embora diminuta, ainda demonstra vitalidade: seus componentes dialogam com lideranças, circulam na cidade e buscam articulação política com segmentos e lideranças locais.
Já a Prefeitura segue em compasso contrário. O gestor da pasta é inacessível, não integra ações nem conversa com outras secretarias. O que deveria ser um centro coordenador transformou-se em um organismo fragmentado, sem plano de voo, sem comando e com um prefeito que parece ter abdicado da estratégia para cercar-se de vaidades pessoais.
A impressão é de um gestor que desprezou quadros técnicos e experientes para abrir espaço a aliados sem densidade política e experiência administrativa. O resultado é uma máquina pública que não se conhece, não planeja e não entrega.
A prefeitura virou depósito de nomeações sem função definida. Em vez de articular prioridades e integrar secretarias, apenas centraliza orçamento e burocracia. Algumas escolhas revelam desperdício de talento e má alocação de quadros.
Alguns poderiam argumentar que o caos é uma tática de dominação, mas, na prática, ele só evidencia desordem e fragiliza a gestão.
Em Paulo Afonso, o poder parece dividido entre o prefeito e seu irmão, Márcio Barreto, o que dispersa decisões estratégicas, paralisa a máquina administrativa e mina a coesão do governo. O resultado é previsível, e derrotas administrativas têm custo político elevado.
A boa notícia é que ainda há tempo para ajustes, trocar peças, resgatar quadros competentes, devolver autoridade técnica às secretarias. Mas, se Mário Galinho continuar priorizando a proximidade pessoal sobre a capacidade de gestão, não será apenas o governo que sairá derrotado: será Paulo Afonso quem pagará a conta.
Fonte/Autor: Bob Charles DRT BA 3.913