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Política

Paulo Afonso - Bahia - 25/01/2026

Taxa de esgoto: Paulo Afonso Perdeu Redução que Outras Cidades Garantiram na Justiça

Divulgação
Projeto aprovado por unanimidade foi travado por manobra política, enquanto municípios como Feira
Projeto aprovado por unanimidade foi travado por manobra política, enquanto municípios como Feira

Enquanto cidades baianas conseguiram reduzir judicialmente a taxa de esgoto cobrada pela Embasa — garantindo alívio financeiro direto ao consumidor — Paulo Afonso perdeu a oportunidade histórica de cortar quase pela metade a tarifa, após um projeto de lei aprovado por unanimidade ser deixado sem sanção em meio a articulações políticas entre Executivo e presidência da Câmara.

Cidades que reduziram a taxa e já aplicam a lei

O caso mais emblemático é Feira de Santana, onde a Lei Municipal nº 326/2016 reduziu a cobrança da taxa de esgotamento sanitário de 80% para 40%. Após quase uma década de disputa judicial, o Supremo Tribunal Federal confirmou a validade da norma, obrigando a Embasa a cumprir a redução e consolidando o direito dos consumidores.

Mesmo diante de resistência da concessionária, a Câmara Municipal de Feira de Santana reafirmou a exigência de cumprimento da lei, denunciando cobranças indevidas e defendendo a interrupção da taxa onde não há prestação efetiva do serviço.

A decisão do STF tornou o município referência jurídica nacional, abrindo precedente para outras cidades.

Paulo Afonso: Lei aprovada, mas nunca sancionada

Em 04 de setembro de 2017, durante a Sessão Ordinária nº 1892, a Câmara Municipal de Paulo Afonso aprovou por unanimidade o Projeto de Lei nº 033/2017, de autoria do vereador Jean Roubert, que reduzia a taxa de esgoto de 80% para 45%.

PL nº 033/2017

Ano: 2017

Autor: Vereador Jean Roubert

Sessão: 1892 – 04/09/2017

Resultado: Aprovado por unanimidade

O projeto representava uma das maiores vitórias econômicas da população local, com impacto direto na conta de água de milhares de famílias.

A manobra que impediu a sanção

De acordo com apuração e registros legislativos, o prefeito à época perdeu o prazo legal para sancionar ou vetar o projeto.

Pelo rito constitucional, a sanção deveria então ser feita automaticamente pelo presidente da Câmara Municipal.

O que aconteceu nos bastidores

· O presidente da Câmara (Marcondes Francisco) na época não promulgou a lei, apesar da obrigação legal;

· Há indícios de articulação política entre a Mesa Diretora e o Executivo, preservando os interesses da Embasa;

· A omissão impediu a entrada em vigor de uma lei que já estava pronta para beneficiar a população;

· O autor do projeto, Jean Roubert, acabou politicamente isolado e boicotado, mesmo tendo conseguido aprovação unânime.

· Vereadores da época atuando na política com cargos: Zé de Abel, Bero JD Bahia, Jean Roubert (Vereadores) Pedro Macário (Vice prefeito)  e Mario Galinho atual prefeito. 

Nos bastidores, a decisão foi vista como uma escolha política para não confrontar a concessionária estadual, sacrificando o interesse do consumidor.

Diferença no bolso: quanto a população poderia ter economizado

Exemplo prático (estimativa):

Consumo mensal

Conta com taxa 80%

Conta com taxa 45%

Economia

R$ 120

R$ 96 de esgoto

R$ 54

R$ 42/mês

R$ 180

R$ 144 de esgoto

R$ 81

R$ 63/mês

R$ 250

R$ 200 de esgoto

R$ 112

R$ 88/mês

Em um ano, a economia poderia ultrapassar R$ 1.000 por família.

Boicote político e apagamento da autoria

Apesar de ter sido o autor do projeto, Jean Roubert não recebeu o reconhecimento institucional, e o avanço da lei foi silenciado após sua aprovação.

Fontes legislativas apontam que:

· O projeto foi tratado como ameaça aos interesses do Executivo;

· Houve tentativa de apagar o protagonismo do vereador;

· A pauta foi retirada do debate público para evitar desgaste político com a Embasa.

Comparação direta: Feira de Santana x Paulo Afonso

Cidade

Lei aprovada

Lei sancionada

Redução aplicada

Situação

Feira de Santana

Sim

Sim

80% → 40%

Válida e confirmada pelo STF

Paulo Afonso

Sim

Não

80% → 45%

Travada por omissão política

 Perguntas que seguem sem resposta

·  Por que o presidente da Câmara não promulgou a lei após o prazo do prefeito?

·  Quem decidiu travar um projeto que reduziria a conta da população?

·  Houve pressão direta da Embasa ou acordo político interno?

·  Quantos milhões a população deixou de economizar desde 2017?

 Paulo Afonso teve a chance de seguir o caminho de Feira de Santana, reduzir a taxa de esgoto e garantir justiça tarifária.

Mas perdeu a oportunidade não por falta de lei — e sim por falta de vontade política.

O projeto existiu.

Foi aprovado.

Foi legítimo.

E foi enterrado.

Fonte/Autor: Cledson Santana

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