
O sábado amanheceu leve. Levíssimo. O tipo de leveza que só aparece quando a meteorologia e a Justiça parecem finalmente combinar uma trégua. O céu clareava, as chuvas davam uma pausa e, curiosamente, um certo cidadão muito conhecido resolveu movimentar o tornozelo às 00h08 da manhã. Coincidência? Talvez. Mas o Brasil não vive mais de coincidências vive de manchetes.
E lá estava ele, o protagonista de um dos capítulos mais improváveis da política recente, tentando o que muitos já esperavam: fugir da própria sombra. A tornozeleira, coitada, já pedia para ser emancipada há tempos. E, como quem entende sinais melhor do que qualquer estação meteorológica, a PF agiu com a delicadeza de um cirurgião e a rapidez de quem já sabia onde isso ia dar.
O STF, por sua vez, não fez rodeios. Não teve novela, coletiva, discurso inflamado. Apenas aquela decisão que chega como mensagem no celular: curta, direta e que muda o humor do país em questão de minutos.
E então o que era “cárcere com vista para o jardim” virou “acomodação oficial sob teto federal”. Nada como um upgrade forçado para começar bem o fim de semana.
O Brasil acordou com um sorriso torto, daqueles que misturam alívio e ironia.
Não que os problemas do país tenham sido resolvidos longe disso. Mas havia, no ar, aquele perfume raro de Justiça dando sinal de vida, mesmo depois de anos tentando sobreviver a teorias mirabolantes, lives intermináveis e discursos que soavam como receita de caos.
O mais curioso é que muitos, ao saberem da notícia, fizeram a mesma pergunta: “Demorou, mas veio?” Sim, veio. Como chuva em época de seca. Como raio caindo no mesmo lugar duas vezes. Como a conta atrasada que finalmente chega com juros inevitável.
E, enquanto o país comentava, uma certeza se espalhava: pelo menos até segunda-feira, estaríamos livres dos discursos inflamados, dos vídeos enigmáticos e das tentativas olímpicas de virar mártir a qualquer custo.
O sábado, portanto, foi histórico. Não pelo céu limpo, nem pelo vento fresco, mas pelo simples fato de que, por alguns momentos, a Justiça deixou de ser promessa e virou acontecimento. E isso, num país como o Brasil, já é quase milagre.
Que o restante da pena digo, da história siga o curso natural.
Afinal, 27 anos passam rapidinho… quando se está do lado de fora das grades.
Fonte/Autor: Itaíbes Paiva