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Opinião

Paulo Afonso - Bahia - 19/11/2025

Minhas crônicas! Entre Cordéis, Bandeiras e ETs: em homenagem a Marcus Vinicius Ceará

Divulgação

Dizem que a cultura brasileira é tão misturada que, se o Criador resolvesse fazer um novo caldo de gente, procuraria inspiração por aqui. É raça que veio do frio, do calor, do deserto, do mar, da mata — e, segundo um amigo ufólogo meu, também de alhures.

Ele sempre jurou de pé junto: “Luciano, esse Brasil aí não é só tropical, é intergaláctico! Olhe direitinho, tem ET infiltrado desde o Oiapoque.” E eu até creio nisso!

Mas hoje, veja só, é dia de algo ainda mais extraordinário que alienígena perdido em estrada de sertão: hoje é dia do cordelista.

Ah, o cordelista… esse bardo de chapéu de couro e história na ponta da língua, que transforma poeira em poesia e saudade em literatura. Um sujeito que tem a ousadia — e a habilidade — de traduzir o mundo em versos, sem precisar pedir licença a ninguém.

E entre tantos, me lembro aqui de Marcus Vinicius Ceará. Homem múltiplo: lei, sala de aula, pesquisa, história e rima — tudo cabendo dentro dele como quem guarda mundos dentro de mala de viagem. E cordéis que vêm não de lua nova, mas de lua cheia, como se a própria noite soprasse inspirações no ouvido dele.

O cordelista, veja só, é o cronista legítimo dessa mistura que chamamos Brasil: fala do cabra, do padre, da rendeira, do pandeiro, da seca, do amor, do medo, do futuro e até do ET, se bobear. Ele sabe que o país é barro, brilho e bagunça — e que tudo isso se segura melhor quando amarrado num cordão de rimas.

E como se não bastasse tanta simbologia num dia só, o calendário ainda nos lembra que hoje é Dia da Bandeira Nacional.

Nosso manto verde, amarelo, azul e branco — que já tremulou em tempos bons, ruins, confusos e esperançosos, mas sempre carregando o recado de que essa pátria é grande e teimosa como quem gosta de viver, apesar dos pesares.

A bandeira, no fundo, é o cordel silencioso da nação. Também conta história — só que sem palavras. Mostra nossas matas, nosso ouro, nosso céu e a promessa (às vezes teimosa, às vezes ingênua, mas sempre bonita) de ordem e progresso.

E quando junta cordelista com bandeira… ah, aí nascem mundos. Porque um escreve, a outra representa, e ambos lembram que ser brasileiro é carregar dentro do peito uma mistura tão grande que nem sempre cabe em prosa — precisa virar poesia.

Talvez por isso o amigo ufólogo tenha razão: se existir ET no Brasil, ele deve se sentir em casa. Afinal, aqui tudo é mistura — e todo mundo cabe. Até o jeep dele, que parece mesmo ter vindo do espaço.

Fonte/Autor: Luciano Júnior

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