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Opinião

Paulo Afonso - Bahia - 12/09/2025

Em Memória dos Que Não Tiveram Chance

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É por você que não teve tempo de se despedir. Por você que morreu esperando um leito, uma vacina, uma resposta. Por você que foi tratado como número, como estatística descartável, enquanto o Capitão zombava da dor nacional com picanha no prato e riso no rosto.

É por você que teve que catar osso para sobreviver, enquanto o governo negava a fome e chamava de narrativa o desespero estampado nas ruas.

Por você que perdeu pai, mãe, filhos, amigos e ainda teve que ouvir que tudo era exagero, que a culpa era da imprensa, que a vida valia menos que um discurso.

A condenação de 27 anos é pouco. Pouco diante da covardia institucionalizada. Pouco diante do desprezo calculado. Pouco diante da sabotagem à ciência, à saúde, à dignidade.

O que se tentou contra o Brasil não foi apenas um golpe político. Foi um atentado à humanidade. Foi a banalização da morte.

Foi a zombaria oficial sobre caixões lacrados e lágrimas contidas.

Hoje, celebramos a justiça não como vingança, mas como reparação mínima. Porque quem brinca com a vida de um povo não merece o conforto do esquecimento. E quem se dizia presidente, mas agiu como algoz, agora carrega o título que lhe cabe: presidiário.

Que essa memória nunca se apague. Que cada nome perdido na pandemia ecoe como denúncia. E que a história registre, sem filtros, a verdade: O Brasil sangrou e o responsável riu.

 

 

 












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Fonte/Autor: Itaíbes Paiva

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