
Você já parou para se perguntar porque tem tanta farmácia em Paulo Afonso ? Não importa o bairro, o cenário sempre se repete: ruas com duas, três, quatro drogarias coladas — às vezes, uma em frente à outra —, empreendimentos que fecham as portas e de uma hora para outra dão lugar a grandes redes de farmácias. São lojas gigantes, iluminadas, com estacionamento privado, dezenas de funcionários, prateleiras sempre cheias e pouquíssimos clientes, funcionando dia e noite como se a cidade estivesse sempre doente. É o comércio da saúde que virou negócio de tudo — menos de gente saudável.
Um passeio pela movimentada Avenida Getúlio Vargas, comprova essa expansão: são ao menos seis farmácias em um percurso de cerca de menos um quilômetro - algumas até da mesma rede. Fácil se questionar se uma não rouba a clientela da outra - mas os executivos das grandes redes batem o pé e defendem que poucos metros fazem a diferença para os clientes. Se antes a cidade era conhecida como a capital da energia, pode ser chamada de a cidade das farmácias
Para começar a entender esse mistério, dê uma passada na farmácia mais próxima da sua casa — não precisa nem comprar nada, só observe. Ou faça melhor: relembre suas últimas idas. Em todas elas, você deve ter escutado “CPF na nota?”. Parece uma pergunta inofensiva, mas é o primeiro passo para abrir a porta do seu histórico pessoal a empresas privadas que coletam e vendem dados em um mercado milionário.Essas informações sobre o consumo, o comportamento e a vida dos clientes viram moeda de ouro nas mãos de empresas de publicidade.
Truque do desconto
Por trás dessa coleta disfarçada de cortesia, está outro truque: o desconto que não é desconto. O cliente vê 70% de abatimento e comemora, mas o preço cheio exibido é inflado de propósito para tornar o benefício atraente.
Fonte/Autor: DP