
Ser mãe já é, por si só, um desafio gigantesco. Mas ser mãe atípica aquela que cuida de filhos com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento, doenças raras ou outras condições especiais é viver uma jornada ainda mais intensa, marcada por sobrecarga, luta e, sobretudo, amor incondicional. Essas mulheres assumem um papel complexo: são cuidadoras, terapeutas improvisadas, defensoras incansáveis dos direitos dos filhos e, muitas vezes, as únicas responsáveis pelo sustento da família.
O papel da mãe atípica vai além da maternidade tradicional. Ela precisa se desdobrar entre consultas médicas, terapias, burocracias intermináveis e o cuidado diário, que raramente dá espaço para descanso. Ao mesmo tempo, essas mães são forçadas a encontrar formas de trabalhar formal ou informalmente para garantir o básico: alimentação, medicação, transporte e o bem-estar do filho.
O mercado de trabalho, por sua vez, é pouco acolhedor para essa realidade. A maioria dessas mães acaba desempregada ou subempregada por falta de políticas públicas que amparem sua dupla jornada.
E o que os governantes têm feito por elas? Pouco. Apesar de avanços pontuais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a possibilidade de jornada reduzida para servidores públicos com filhos com deficiência, faltam políticas inclusivas e eficazes para mães atípicas. Creches especializadas, auxílio financeiro digno, vagas de emprego com flexibilidade, suporte psicológico e capacitação profissional ainda são sonhos distantes para muitas dessas mulheres.
Enquanto o Estado se omite, a sociedade também precisa despertar. Podemos ajudar oferecendo rede de apoio, escuta empática, respeitando os espaços dessas mães e pressionando por mudanças reais. Apoiar mães atípicas é, sobretudo, reconhecer sua luta diária e valorizar o papel fundamental que exercem nas suas famílias e na sociedade. Essas mulheres são heroínas anônimas, que enfrentam dias exaustivos, mas não desistem. Lutam, amam, resistem. E fazem toda a diferença.
Fonte/Autor: Por: Itaíbes Paiva