Opinião

Maricá - RJ - 09/02/2010

Uma vitória contínua

Bob Charles com Ozildo Alves
Arquivo

O radialista Antonio Carlos Zuca, 33, na foto com o cantor Paulinho Mosca,  em entrevista  exclusiva revela como conseguiu se livrar do vício do crack, como retomou suas atividades, fala do cotidiano em Maricá - RJ e quer ser voluntário para ajudar aos que querem sair das drogas.BC - Como se envolveu com as drogas?

 AC Zuca - Bom, o começo é sempre com o álcool. Aos 15 anos comecei a tomar umas cervejas, aos 21 fumei meu primeiro baseado e daí por diante sempre estava com uma ou com a outra. Na faixa dos 28 anos conheci o crack, essa droga me dominou e fui usuário dela por cinco anos, sendo que nos dois últimos (2007/08) perdi o controle do vício e tive sérios problemas.

 BC - Que tipo de problemas?

 AC Zuca - Bem, quando percebi que estava sendo dominado resolvi me internar num albergue em Recife, local de recuperação para quem está passando por problemas dessa natureza. Lá passei dois meses, entretanto ao voltar para Paulo Afonso e retomar minhas atividades fui novamente seduzido pelo crack por desafiar a potência da substancia "vou dar só um trago" me perdi aí. Descontrolei-me, perdi a noção das ações, ás vezes queria parar, mas as impregnações em minha mente aliadas a problemas pessoais me fizeram buscar refúgio no crack. Vivia como um zumbi, abordava pessoas que eu nem conhecia, usava meu nome e das empresas em que eu trabalhava, tudo isso para conseguir dinheiro para comprar o crack, estava cego, tem gente que nem lembro! Preciso voltar para conversar com essas pessoas. 

 BC - Como acordou novamente para sua situação de drogado?

 AC Zuca - Queria parar, estava em plena atividade, porém com desempenho abaixo do meu potencial, faltava aos expedientes, acordava para fumar crack, dormi era raro como também pouco me alimentava, pois o crack tira teu sono e tua fome. Aí, amigos vinham ao meu encontro e falavam "Zuca acorda, só falta agora perder a vida".  A vida, confesso hoje sem temor, pensei em suicídio algumas vezes, mas algo forte me segurou, DEUS, e me segurei. Em meados de dezembro de 2008, amigos queriam me levar para um outro local de tratamento para dependentes químicos, meus médicos também, mas uma tia minha chegou do Rio de Janeiro para visitar nossa família em Paulo Afonso, e, ao ver minha situação falou "vamos para minha casa, lá você por você vai se curar". Resolvi encarar e me curar no mundo, porém num mundo diferente do que eu vivia.

BC - Onde você mora hoje e o que faz da vida?

AC Zuca - Hoje moro em Maricá, região dos lagos, Rio de Janeiro, estou trabalhando em uma revista conceituada da cidade, Revista Encontros, onde faço reportagens, entrevistas e escrevo artigos, algo idêntico ao que fazia em Paulo Afonso.

 BC - Como conseguiu se libertar realmente das drogas ou do crack sendo mais específico?

 AC Zuca - Cheguei aqui (Rio de Janeiro) com 52 quilos, 14 a menos que meu peso ideal. Busquei força em mim e pedi a ajuda de Deus em minhas orações. Minha mãe e alguns amigos, que não quero citar nomes, também foram importantes nessa jornada de volta para a vida. Enxergar meus filhos (um garoto de seis anos, e uma menina de dois) me despertou mais ainda. Não foi fácil, passei dias difíceis, mas hoje me sinto forte para dar essa entrevista. Recuperei meu peso e minha vontade de viver. Nasci de novo. Quero destacar que o apoio da família é importante, nunca desistam de ninguém, somos sempre capazes de nos levantar seja a situação que for...

 BC -Pretende retornar para Paulo Afonso?

 AC Zuca - Sim, pretendo. A minha fase de drogadição deixou situações a serem resolvidas e quero resolve-las. São dividas, e amizades que foram arranhadas pelo meu comportamento. Só quero uma compreensão daqueles que conviviam comigo: tudo o que fiz foi por estar dependente de uma substancia chamada crack. Mas meu coração voltou a pulsar como antes... Gostaria de ajudar aqueles que querem se livrar do crack. Quem sabe num trabalho voluntário. 

 BC - Que mensagem você nos deixa?

 AC Zuca - Todo o ser humano está propício a cair na vida, porém, poucos são os que conseguem se levantar, mas quero afirmar que somos capazes de tudo, se cairmos somos capazes de um levante, entretanto, a ajuda dos outros é importante e temos que admitir que estamos precisando dessa ajuda. Tudo isso aliado, temos a capacidade de sacudir o mundo. Não podemos nos esquecer de DEUS, sem ELE nada somos, nada conseguimos. Em breve voltarei a Paulo Afonso para rever minha família, meus amigos...

- Deixo essa reflexão: "Você é o resultado das suas escolhas. Por isso, quando algo der errado, não culpe ninguém e não reclame, porque só você faz a sua vida. É muito fácil justificar os nossos erros se lamentando - ou pior, apontando o dedo para o outro. Você colhe aquilo que planta, e somente você pode mudar uma situação. Não há por que buscar desculpas ou culpados. Assuma a responsabilidade por seus fracassos para ganhar força, se reerguer e recomeçar. Há um texto que diz: "O triunfo do verdadeiro ser humano surge das cinzas dos erros que ele comete". Então, aprenda a rir de seus enganos. Aprenda a rir de si mesmo, mas não perca a lição. Se o caminho que você escolheu não é bom, mude de direção. Mas mude com a certeza de que somente você é responsável por seus atos. Pare de se amargurar pelos seus passos em falso e deixe de pôr a culpa em outras pessoas. Aprenda a ser maior que os obstáculos. Reconheça-se pela coragem e pela vontade de vencer, não pela fraqueza de ficar se justificando... Porque qualquer momento é bom para começar novamente, e nenhum é tão terrível para desistir"

 

 


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