Opinião

Paulo Afonso - Bahia - 12/05/2020

Abre-e-fecha pode arruinar comércio pauloafonsino

Luiz Brito é radialista.
Foto: Ilustração
Luiz Brito
Luiz Brito
Os números relativos ao novo coronaviros felizmente permanecem inalterados em Paulo Afonso. Mesmo depois da abertura do comércio semana passada, por ocasião do Dia das Mães, o número de infectados com o novo coronavírus não foram alterados. Do início da pandemia até os dias atuais foram confirmados 8 casos. Quantos infectados assintomáticos estão circulando pela cidade? Isso só as sofisticadas projeções científicas podem responder.
O prefeito Luiz de Deus  vem acompanhando a sensata posição de boa parte dos governantes brasileiros, sintonizados com as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Mas, por parte dos empresariado, percebe-se que a pressão pela reabertura é imensa.
As pressões, inclusive, seguem. Há bares e restaurantes querendo reabrir. Academias e igrejas evangélicas – excelentes espaços para aglomeração e potencial disseminação do Covid-19 – também pressionam. No Legislativo municipal, alguns vereadores, ostentando máscaras, já fizeram discurso defendendo a flexibilização. 
O prefeito não descarta a possibilidade de determinar, mais uma vez, o fechamento do comércio em sua totalidade. É bom lembrar que o pior da pandemia ainda não chegou à Paulo Afonso. A expectativa é de unidades de saúde superlotadas, pacientes necessitando de cuidados intensivos e, provavelmente, mortes. Reabrir geral – como anseiam os insensatos – vai apenas tornar tudo muito pior.
Já mencionamos que no momento mais agudo – quando ocorrer a saturação da capacidade de atendimento – todos se afastarão: comerciantes, líderes empresariais, vereadores – da base aliada ou não –, gente da imprensa, ninguém compartilhará o ônus com Luiz de Deus. A cobrança, inclusive, virá às vésperas das eleições. Pré-candidato à reeleição, pode ser irreparavelmente alvejado em suas pretensões.
A recessão é inevitável e incontornável, ao contrário do que fantasia Jair Bolsonaro, o “mito”. Mas pode, inclusive, ser aprofundada com o abre-e-fecha do comércio. A clientela só vai voltar às ruas – e às compras – quando a epidemia estiver sob controle por aqui. Com suas ostensivas limitações cognitivas, os que advogam o contrário não entendem e teimam em defender o “libera geral”.


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