Economia

Paulo Afonso - Bahia - 12/09/2019

0,1 centavo que faz a diferença

Luiz Brito com Heverton Santos
(Foto: divulgação)

Em todo o comércio de Paulo Afonso (sem nenhuma exceção), na maioria das vezes, ocorre o desprezo com o consumidor no momento em que há a devolução de seu troco, pois os produtos cujos valores de venda não são inteiros tais como R$ 2,99 e R$ 10,58, são arredondados para cima, sendo assim R$ 3,00 e R$ 10,60. Pelo fato da diferença ser um valor consideravelmente pequeno, ocorre também o desprezo do consumidor com o seu troco que acaba não o reivindicando, ficando assim no prejuízo.

A moeda de 1 centavo parou de ser fabricada no ano de 2010 porque o valor de sua fabricação para o Banco Central era superior ao seu valor real, logo ficaram escassas no mercado dificultando cada vez mais as transações entre comerciantes e consumidores. Este é um dos principais argumentos que os comerciantes utilizam para justificar a falta de alguns centavos no troco. Alegam também, que da mesma maneira que faltam centavos para repassar ao cliente, sairão no prejuízo quando a situação for inversa, ou seja, o estabelecimento deixar de receber estes centavos. Existe uma grande diferença entre perder e deixar de ganhar, pois no valor do produto pago pelo consumidor já estão embutidos tributos e a margem de lucro utilizada pelo estabelecimento, o comerciante só terá prejuízo caso esta lucratividade seja igual aos centavos que deveriam ser repassados como troco ao consumidor.

Os anúncios publicados com valores quebrados são uma estratégia de marketing utilizada pelos estabelecimentos comerciais para que o consumidor imagine que o valor anunciado e o valor arredondado sejam extremamente diferentes, como por exemplo, R$2,99 e R$3,00. Assim, como na maioria dos casos, o produto é anunciado por R$2,99 e é vendido por R$3,00 devido a falta da moeda de 1 centavo para repassar como troco. Segundo o Art. 37 do Código de Defesa do Consumidor (CDC) trata-se de publicidade enganosa, pois no momento de pagar pelo produto este terá outro valor. O que ocorre nas transações entre comerciante e consumidor em questão ao 1 centavo, realmente é o desprezo de ambas as partes, o valor acaba se tornando insignificante transformando assim estes casos em um mero costume.

O troco desprezado pelo consumidor, na maioria das vezes, não é registrado no caixa do comércio, portanto irá sobrar e não será declarado ao fisco para que sejam calculados os tributos de forma correta. Será que isto é correto? Imagine que este valor seja de 1 centavo e isto ocorra 5.000 vezes ao mês em uma empresa que está aberta ao público todos os dias da semana, o comerciante lucrará em um mês R$ 1.400,00 e em um ano R$ 16.800,00, valores que não são declarados.

O que se percebe realmente é que há uma lacuna no CDC quanto a este assunto. Enquanto o consumidor de maneira geral não se manifestar e cobrar o seu troco corretamente, não serão resolvidos estes casos considerados como publicidade enganosa. Portanto, como não é viável ao Banco Central continuar a fabricar moedas de 1 centavo de maneira em que resolva esta questão, ideal seria, o arredondamento dos preços nos comércios, independentemente de estratégia de marketing ou não. O que se deve priorizar é a resolução dos prejuízos causados aos consumidores que de maneira automática cooperam para o lucro ilícito dos comerciantes.

 

Opinião de um leitor:

No marketing isso se chama "ponta de preço". A técnica de diminuir 1 centavo para que o número que fica antes da vírgula (ou do ponto) pareça sempre menor que o número que viria depois se acrescentasse esse 1 centavo.
Por isso que eu só uso cartão de crédito ou débito, que na hora de passar o comerciante é obrigado a colocar o valor exato do preço e ainda perde uma porcentagem de 2% a 3% do valor da compra. rsrsrss..

 


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